Pausa
14/10/2010
Quinze minutos entre o primeiro e o segundo tempo. Um gole d’água entre dois de vinho. O tempo entre um acorde e outro, o silêncio que compõe a música, o vazio que completa o espaço.
O Blogsarj evoca essas imagens para avisar que vai suspender temporariamente suas postagens. Há muitas atividades previstas – entre elas, o aniversário de 40 anos do SARJ em 2011 – e houvemos por bem não parar, mas fazer uma pausa que, esperamos, venha fazer parte de um movimento completo e bem executado. Utilizando outra metáfora, podemos dizer que daremos um passo para trás, tão somente para poder dar os próximos para frente com segurança e vigor.
Enquanto isso, saboreiem o chocolate exclusivo desenhado pelo mestre Niemeyer – cujos traços, agora, deliciam mais um de nossos sentidos.
Até a volta.
Cidades espontâneas
01/10/2010
O trabalho dos artistas Bruce Gilchrist e Jo Joelson chama-se, sugestivamente, “Spontaeous City”, e ilustra bem o debate sobre as remoções, as enchentes e a política habitacional equivocada do Rio de Janeiro.



Para conhecer melhor o trabalho dos artistas, visite o site London Fieldworks.
Um debate maduro
23/08/2010
Nas últimas semanas registrou-se uma intensa e salutar discussão entre arquitetos, que começou virtual e já tomou rumos “além-rede”, bastante concretos. Surgiu como um questionamento, antes até de tornar-se uma denúncia, sobre sites que oferecem serviços de arquitetura de modo, digamos, duvidoso.
Obviamente não se trata de sites de escritórios de arquitetura estabelecidos; muitas vezes nessas páginas não há sequer a identificação de um arquiteto responsável. Há ofertas de projetos a preços abaixo da tabela – o que configura, no mínimo, concorrência desleal – e até projetos prontos para todo tipo de edificação, incluindo aí hospitais, restaurantes e farmácias, por exemplo. Prontos para levar, da mesma maneira que, numa loja de departamentos escolhe-se uma calça tamanho 40 ou uma camisa nº5.
No debate sobre responsabilidades e fiscalização, obviamente foram questionadas as atuações de entidades de classe, sobretudo os Conselhos Regionais. Houve quem lembrasse que a eminente aprovação do CAU deve coibir melhor esse tipo de prática, mas um razoável consenso se fez sobre a necessidade de vigilância constante de toda e qualquer entidade representativa e, em última instância, de cada profissional.
Mas quem recorre a esse serviço precisa saber dos riscos aos quais se sujeita – ou deveria saber. Em que medida a sociedade brasileira – e não a diminuta parcela dela que compõe a classe média alta – tem noção das atribuições de um arquiteto, das particularidades de um projeto? Para Celso Evaristo, diretor do SARJ, as pessoas que buscam o projeto pronto “são as mesmas que diante do sonho de construir suas próprias casas compram diversas revistas e usam, quase sempre, desenhistas e engenheiros que repetem aqueles desenhos, e aprovam os projetos nas prefeituras, tudo por R$ 300,00.” Indo ainda mais fundo na questão, Evaristo defende uma revisão de valores e conceitos: “O que temos que difundir é a cultura da nossa profissão, sua ciência e utilidade social”.
E, numa postura realmente madura, a discussão não poupou a nós próprios arquitetos, questionado em que medida nós arquitetos contribuimos para uma imagem elitista da profissão, se os valores cobrados não estão acima da realidade social brasileira e de que modo a burocracia estatal encarece esse serviço.
Neste debate, numa outra demonstração de evolução, a internet e as novas redes sociais foram entendidas como de fato são: ferramentas, instrumentos que propagam com maior rapidez tanto ações deletérias quanto as reações de denúncia e luta. Dessa discussão uma representação formal foi feita a um dos conselhos, a Campanha pela criação do CAU foi reforçada e, talvez o maior dos ganhos, um debate franco e corajoso foi estabelecido –, e nada contribui mais para o fortalecimento de uma classe.
Imperdível
04/08/2010
O arquiteto Fernando Lara - professor da Universidade do Texas, que escreve regularmente no Parede de Meia enquanto trabalha no Studio Toró, e já colaborou com o BLOGSARJ – está no Brasil realizando várias palestras. A primeira delas foi em julho, em Brasília:
Dia 4 de agosto, quarta-feira, 14hs, é a vez da PUC-Minas (Programa de pós graduação em tratamento da informação especial).
No Rio de Janeiro:
El Cemento Feroz: Considerações sobre Arquiteturas Contemporâneas da América Latina PROARQ
06 de agosto, sexta-feira – 11 horas
Edifício da reitoria – sala 445 Av. Pedro Calmon, 550 Ilha do FundãoA seguir
dia 9/008, segunda- feira, final da manhã na UFPE – Recife
dia 10/08, terça-feira, na UFPB – João Pessoa, horário ainda a definir
CAU – na reta final, mas ameaçado
30/07/2010
O projeto de lei que cria o Conselho Nacional de Arquitetura está muito próximo de se tornar realidade, concretizando uma luta longa e intensa dos arquitetos e urbanistas. No entanto, duas emendas ameaçam a criação do Conselho nos moldes idealizados pelos profissionais.
A emenda apresentada pelo Deputado Maurício Rands (PT/PE), relator do projeto, dá margem para descaracterizar o CAU como conselho uniprosfissional. A emenda do Deputado Bonifácio de Andrada (PSDB/MG) não especifica que são os cursos de Arquitetura e Urbanismo que serão registrados pelo Conselho, também abrindo uma brecha perigosa.
Diante disso, o SARJ lançou uma Campanha para apoiar a aprovação do CAU, rejeitando as emendas citadas. Participe preenchendo o formulário no site do Sarj, onde você pode ler mais sobre o assunto.
Em tempo: a votação do projeto de lei acontece no próximo dia 3 de agosto, terça-feira, e a campanha precisa se intensificar o quanto antes. Participe, divulgue!
Para quem é, basta?
21/07/2010
Jornais cariocas noticiaram na semana passada a intenção da Riotur de transformar o Terreirão do Samba em espaço de eventos, com bares, lojas e palcos para apresentações durante todo o ano. O local, que fica nas imediações da Passarela do Samba, oferece shows no período carnavalesco, chegando a reunir mais de 15 mil pessoas por dia. A ideia é criar um espaço permanente para o samba, à semelhança do Centro das Tradições Nordestinas, em São Cristóvão.
(Antes, um parêntesis: embora esteja presente no Twitter, no Facebook e mantenha um site, a Riotur não oferece informações sobre a proposta em nenhum destes meios. Deveria ser a própria entidade, e não a imprensa, responsável pela informação primeira a respeito de seus planos – ou qual o sentido de tantos canais e tão pouca informação?)
Voltando para o Terreirão: a motivação soa simpática, sem dúvida. O samba, patrimônio imaterial que é, do Rio de Janeiro e do Brasil, merece a deferência. No entanto, chama a atenção a cara que se quer dar ao projeto. Segundo o jornal ‘O dia’, ”para resgatar o ambiente do Rio Antigo, seis botequins serão construídos em arquitetura neoclássica”. Por que construir ao lado da Passarela do Samba, um dos símbolos do modernismo do mestre Niemeyer, algo com ar de antigo? Caso o presidente da Riotur desconheça, o verdadeiro Rio Antigo sobrevive e padece um ou dois quarteirões atrás do Terreirão, em casas, sobrados e até mesmo igrejas ameaçadas de desabamento por falta de manutenção e fiscalização da prefeitura (do Estado como um todo). Igualmente um patrimônio, só que material, ainda que corroído pelo tempo e negligenciado pelas autoridades.
Por que criar casas antigas fake em uma região da qual elas foram banidas há quase um século para dar lugar à própria Avenida Presidente Vargas? Na área próxima à Marquês de Sapucaí, a maior parte das edificações já não são construções neoclássicas – ecléticas – coloniais. Erguer na área casinhas com “cara de antiga”, além de destoar arquitetonicamente do entorno, soa quase como um deboche frente ao verdadeiro e degradado Rio antigo das imediações, que agoniza mais que o samba.
Porque não construções contemporâneas complementando a obra do mestre Niemeyer e indicando um futuro?
Na mesma matéria, o presidente da Riotur, Antônio Pedro dá pistas desta escolha pelo “antigo” – que pode ser traduzido por pitoresco e caricato. Afirma o dirigente: “não será sofisticado, mas sim organizado, confortável e agradável”. E poderíamos saber por que a preocupação em avisar tão prontamente que não há sofisticação prevista? Então samba tem que, necessariamente, remeter ao passado, ao antigo, não sofisticado, “velho, mas limpinho”? Vai ver é isso mesmo, afinal é o samba, é o Centro da cidade: sofisticação, harmonia arquitetônica e transparência para quê, não é mesmo?
Arte do Jornal O Dia
Divulgado o projeto do Museu do Amanhã
29/06/2010

No dia 21 de junho, Santiago Calatrava apresentou detalhes do projeto do Museu do Amanhã, que será instalado no Píer Mauá, zona portuária do Rio de Janeiro. A inauguração está prevista para o segundo semestre de 2012, o início das obras para o primeiro trimestre de 2011, e custo estimado chega a R$130 milhões.

O edifício principal do Museu ocupará uma área de 12,5 mil m² e sua fachada terá estruturas dinâmicas que se movimentarão, a fim de oferecer sombra aos visitantes e aproveitar ao máximo a luminosidade natural. Um espelho d’água ao redor do prédio o integra à Baia de Guanabara, ao mesmo tempo em que exibirá o funcionamento de um sistema de filtragem da água do mar.
Assista a apresentação do projeto no vídeo abaixo e manifeste suas opiniões nos comentários.
Flare
23/06/2010
Uma fachada que muda constantemente. Esta proposta inusitada foi realizada na Alemanha por Christopher Bauder e Christian Perstl. “Flare” é o nome do sistema modular que reveste a edificação com uma espécie de ‘pele’. Segundo os idealizadores, a ideia era quebrar as convenções de uma frente estática. “Agindo como uma pele, permite à construção se expressar, comunicar e interagir com o ambiente“. O vídeo fala por si:
Outras informações estão disponíveis no site http://www.flare-facade.com/
Sobre cotas – a favor
16/06/2010
A Universidade Federal do Rio de Janeiro iniciou – com atraso – a discussão sobre a adoção de um sistema de cotas para alunos negros, índios e de baixa renda. Todas as unidades e centros podem e devem apresentar sugestões, que serão posteriormente encaminhadas ao Conselho Universitário, órgão máximo deliberativo da UFRJ.
Neste espírito, o Blog do Sarj colabora com o debate, abordando a questão hoje sob o ponto de vista favorável às ações afirmativas. Em seguida, publicaremos também texto defendendo posição contrária, garantindo o caráter democrático da discussão. Abordaremos aqui três argumentos, entre os mais comuns, para iniciar uma análise que pode ser feita sob variados aspectos. Você, leitor, mais que convidado, está encorajado a participar, deixando suas impressões nos comentários.
Uma das primeiras acusações à ideia de políticas compensatórias alega que elas seriam injustas com aqueles que conquistaram vagas pelo mérito, com a dedicação aos estudos. Argumento combatido pelo Prof. Idelber Avelar, da Tulane University, que discute o tema há anos em artigos, palestras e posts. Para ele, que se posiciona a favor da meritocracia, esse conceito é que precisa ser revisto e, sobretudo ampliado: “Não proponho que se deixe de medir pontos. Mas há que se manejar um conceito mais amplo de mérito, onde entrem outras variáveis além do número de x’s corretos numa prova. O sistema de cotas temporário pode ser um bom instrumento para a reforma desse monstro, o vestibular.”
O que remete à outra crítica frequente, essa referente ao sistema educacional brasileiro como um todo. Os antagonistas das cotas afirmam que o sistema não resolve a desigualdade, que deveria ser combatida mediante reformas no ensino fundamental. Entretanto, o Prof. Avelar aponta pra um falso antagonismo, já que as cotas devem ser parte de um projeto reformista. As cotas representam uma solução emergencial e temporária, simultânea a mudanças mais substanciais. Vale dizer que esses mesmos opositores não apresentaram projeto de reforma efetivo, consistente. Por outro lado, o efeito das cotas já começa a ser contabilizado: segundo o Prof. José Jorge de Carvalho, da UnB, em sete anos de aplicação das cotas (em vigor hoje em mais de 100 universidades brasileiras, de maneiras diversas) ingressaram mais estudantes negros no ensino superior que em todo o século XX.
Embora muitos considerem a adoção de mecanismos diferenciados de acesso – que chamamos aqui de cotas para simplificar – ninguém ousa negar a desigualdade entre os alunos das universidades públicas brasileiras. Não é preciso recorrer a estudos elaborados para constatar que eles são, em sua grande maioria, egressos de escolas particulares, das classes mais abastadas e brancos. Se há um forçoso consenso sobre esta realidade, há uma reação intensa a qualquer tentativa de mudança direta e é quase impossível não questionar o grau de corporativismo dessa reação. O que está sendo defendido, afinal? Não ganha a Universidade quando diversifica seus quadros, amplia seus horizontes – ou a instituição sente-se ameaçada? Como defende o Prof. Avelar, “o cotista traz saberes que o aparato universitário ainda não domina e, portanto ajuda transformar a própria natureza do que ali se produz e reproduz. Será que nós, da universidade (…) podemos prescindir desse saber que vem da experiência do outro? Será que a abertura um pouco mais generosa das portas não é do nosso próprio interesse, do interesse de disciplinas que, com frequência, se debatem em problemas abstratos, divorciados da realidade brasileira?”.
E você, leitor, já tem sua opinião? Ou apenas novas questões? Divida conosco.
Caderno de Exercícios
08/06/2010
A Expo Xangai 2010 proporcionou aos arquitetos bons exercícios de volumetria, proporções e inovações nos acabamentos.
Vale a pena ver a projeção de slides que exibe alguns dos pavilhões.
Os 3 exemplos que se seguem dão a tônica da Expo, cujo tema é “Better city, better life”.
Austrália
Polônia
Brasil
Site oficial da Expo Xangai.
Site da participação brasileira.






