Para todos nós

23/12/2009

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Nas alturas

16/12/2009

Bastante preocupante o rumo que vem tomando a atual política ambiental do País, de um modo geral, e mais especificamente do Rio de Janeiro. Não raro somos informados de mudanças na legislação –  ora autorizadas pelo Executivo, ora pelo Legislativo – que permitem a alteração de gabaritos, a destruição de belas áreas que eram (ou deveriam ser)  preservadas, a modificação de critérios de urbanização previamente estabelecidos. Tudo isso para favorecer empresários e empreiteiras, e resultando em todo tipo de dano ambiental, além do surgimento construções mal feitas.

Mas sempre há esperanças de que a cidade permaneça maravilhosa. E, sorte nossa, há também  profissionais que se empenham para manter esse título  através de seu trabalho. É o caso do fotógrafo Nilo Lima, que lança o livro “Rio nas alturas”. Belo e delicado trabalho que reúne fotos aéreas do Rio natural e construído, registrando o traçado urbano da cidade e sua ainda exuberante natureza – uma apaixonante viagem pelos céus da cidade. Para ter uma ideia da qualidade do livro, “sobrevoe” o site do autor.

O  lançamento acontece no dia 17 de dezembro, quinta-feira, às 19hs, no Heliporto da Lagoa, perto do Parque dos Patins.

Cidade metrópole

15/12/2009

Ênfase na questão metropolitana, na sua centralidade histórica e na ampliação da mobilidade da sua população

Pedro da Luz Moreira*

Existem hoje em curso ou anunciadas uma série de obras e eventos que certamente produzirão mudanças espaciais significativas na atual configuração da Cidade Maravilhosa. As obras foram anunciadas pela grande imprensa e envolvem: instalações industriais como o Pólo Petroquímico em Itaboraí (Comperj) ou a Companhia Siderúrgica do Atlântico em Itaguaí (CSA); obras rodoviárias como o Arco Metropolitano; obras de impacto ambiental como a Despoluição da Baía de Guanabara; obras que se referem ao legado dos eventos esportivos internacionais como a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016; obras que envolvem a integração com outras metrópoles, como a do Trem Bala; ou ainda planejamentos indutores, como o Porto Maravilha e as alterações no PEU das Vargens. Diante deste quadro de grandes empreendimentos, o papel do IAB-RJ deverá ser o de fomentar o debate de forma a aumentar a transparência das proposições e procurar a articulação destas variadas agendas visando alcançar uma cidade mais justa e

inclusiva.

Neste sentido é fundamental questionar qual cidade pretendemos construir. Como estes diferentes eventos podem se constituir numa sinergia de legados que incorpore os esforços de todos nós, arquitetos, em nossas múltiplas aptidões e inserções profissionais, em defesa de um espaço arquitetônico, urbano e metropolitano que seja instrumento e construtor de uma sociedade democrática, justa, solidária, menos desigual, mais feliz. Dentro desta pretensão creio que dois aspectos são fundamentais para obtenção deste objetivo; a questão da caracterização do Rio de Janeiro como Cidade Metropolitana, junto com o seu antigo centro histórico, e a conquista de uma maior capacidade de mobilidade da sua população, a partir dos eventos anunciados.

A primeira questão que aparece neste cenário é a da conceituação da Cidade Metropolitana, um conglomerado de 20 municípios, que é constituído pela cidade sede do Rio de Janeiro e pelos municípios de Mangaratiba, Itaguaí, Paracambi, Seropédica, Japeri, Queimados, Nova Iguaçu, Nilópolis, Mesquita, São João de Meriti, Belford Roxo, Duque de Caxias, Magé, Guapimirim, Itaboraí, Tanguá, Maricá, São Gonçalo e Niterói. Esta continuidade urbana que abriga 11 milhões de habitantes, que corresponde a mais de 70% da população do Estado do Rio de Janeiro, é o território onde estas iniciativas se materializarão. As obras anunciadas já se realizam e virão a se realizar sobre esse território, determinando impactos que precisam ser coordenados no sentido de buscar o equilíbrio de uma cidade mais justa e inclusiva. Neste sentido, o velho centro da cidade do Rio de Janeiro surge como um pólo onde existe uma substancial infraestrutura de oportunidades, cultura, lazer e informação que já está instalada e que deve ser potencializada pelos diferenciados eventos. A busca do reforço desta centralidade, que é o efetivo centro geográfico da grande metrópole, se justifica pelos esforços já instalados neste território. Assim, acredita-se que é fundamental para esta ordenação a construção de um fórum de debates da gestão operacional da Cidade Metropolitana do Rio de Janeiro, que se constitua como um pólo de referência dos variados municípios. O IAB-RJ deve fomentar este debate e buscar sensibilizar as autoridades desses municípios para uma ação coordenada e conjunta que possa responder à multiplicidade de eventos que se anunciam, e que demandam do poder público uma ação mais efetiva.

A segunda questão envolve o transporte público de massa instalado nesta imensa metrópole. Acredita-se que a mobilidade deve ser considerada uma das mais importantes conquistas da modernidade, pois garante ao cidadão acesso a oportunidades, cultura, lazer e informação, que são construtoras de uma autoconsciência crítica. Na atual Cidade Metropolitana do Rio de Janeiro, que é considerada uma das megacidades do mundo, a gestão do transporte público é caótica, podendo ser caracterizada pela existência de vários modos distintos que estão em competição direta pela captação dos usuários, sem nenhum esquema de articulação e com níveis de integração muito baixos. Os sistemas que operam de forma regular não exploram as reais vocações de cada modal, e ainda enfrentam a concorrência dos sistemas alternativos. Um exemplo dramático desta situação é o transporte sobre trilhos cuja vocação natural é de ser um modal de alta capacidade e que na Cidade Metropolitana, apesar de contar com uma extensa rede de aproximadamente 255 km, transporta apenas 7% das viagens motorizadas . Aliás, neste quesito, a Cidade do Rio de Janeiro possui uma característica que a distingue de outras regiões metropolitanas do país, que é esta extensa malha ferroviária, construída em grande parte antes do tempo da hegemonia do carro, e que hoje é um sistema que não desperta a menor confiança da população. Dentro deste quadro, é fundamental apontar que há uma clara distorção no aproveitamento das tecnologias específicas para o transporte de massa, bem como uma completa desarticulação dos agentes. Percebe-se que o modal rodoviário exerce hoje o papel de principal transportador, competindo com os de maior capacidade potencial, determinando deseconomias e fortes impactos ambientais. Esta situação reflete a falta de investimentos nos sistemas de alta capacidade ao longo da segunda metade do século 20, quando despontou no mundo a hegemonia rodoviarista. Houve também uma ausência de políticas objetivando a racionalização e a complementaridade dos modos de transporte, além das descontinuidades e indefinições que os próprios modelos institucional, financeiro e organizacional geraram. Retomar o enfoque da integração intermodal, buscar uma diminuição das tarifas de forma a atrair mais usuários é uma preocupação que deve mobilizar a todos; usuários, empresários, governo e o IAB-RJ.

*Pedro da Luz Moreira, arquiteto, urbanista, professor da PUC/RJ e vice-presidente de Administração da recém eleita diretoria do IAB-RJ para o biênio 2010-2011.

O arquiteto e urbanista Jorge de Abreu Figueiredo recebeu ontem o Diploma do Mérito da Arquitetura. A cerimônia foi realizada na sede do CREA. O SARJ parabeniza seu ex-presidente.

Dia do Arquiteto

11/12/2009

O Sarj parabeniza todos os Arquitetos e Urbanistas pelo seu dia, desejando que as felicitações recebidas convertam-se em condições favoráveis de trabalho e na concretização de uma política habitacional justa e inclusiva.

Jorge de Abreu Figueiredo*

O tamanho adequado para uma cidade autossustentada: um sonho? utopia? Uma proposta para promover o desenvolvimento urbano de modo racional e equilibrado. Cidades multicelulares, dimensionadas de modo a proporcionar os melhores níveis de qualidade de vida para as populações.

A natureza nos ensina que todos os seres guardam entre si certa relação de proporções e tamanhos adequados para o bom desempenho de suas funções. Quando praticamos ações em que certos parâmetros de qualidade não são respeitados ocorrem desastres, enfermidades e acidentes com vários níveis de gravidade.

As grandes cidades são um exemplo de desrespeito sob vários aspectos. Não temos que nos espantar com a violência urbana tendo em vista a forma grosseira com que os setores responsáveis pela construção de edifícios, ao longo de várias décadas, vêm agindo no Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte e outras cidades do País.  Por outro lado não podemos conceber uma cidade com base somente no tripé habitação- transporte – trabalho, pois isto nos conduz a uma forma de escravidão e desconforto.

Existe um ponto de equilíbrio a ser respeitado em tudo o que produzimos e consumimos. Ou seja: a quantidade altera a qualidade em todas as ações.

A natureza é organizada e se autorregula para corrigir os efeitos de nossas intervenções no meio ambiente. Quando desrespeitarmos os limites recomendáveis, as respostas irão acontecer de modo muitas vezes violento.  Portanto, só nos resta viver em harmonia com a natureza.

Módulos urbanos integrados com o campo –  uma proposta

Se fizermos uma conta simples, considerando que a população urbana de nosso Brasil represente 80 % da população total, estimada atualmente em 152 milhões de habitantes, e considerarmos uma densidade demográfica de 5 mil hab/km2,

o espaço ocupado pelas cidades seria de somente 30.400 km2, o que representa menos de meio por cento da extensão territorial do País. Temos, portanto muito espaço para a construção de módulos urbanos integrados com o campo, reaproximando as pessoas com o ambiente natural, e ao mesmo tempo com os benefícios de todos os recursos de interesse social, econômico e cultural necessários.

Não podemos nos esquecer da importância das áreas de lazer, dos espaços destinados a atividades culturais, hoje muitas vezes improvisados de modo precário e, até inexistente nas grandes cidades brasileiras. Como não custa sonhar, que tal: após um dia de trabalho, poder chegar em casa, em 10 minutos de bicicleta, por uma ciclovia? Poder caminhar à noite, ou pela manhã, sem ter que correr o risco de ser assaltados?   Podermos nos banhar e praticar natação em um parque aquático? Podermos ter espaços para prática de diversas modalidades de esporte: futebol, tênis, basquete, vôlei, corrida, salto, ginástica olímpica, etc., tudo isso com acesso a pé ou de bicicleta?  Podermos morar em uma cidade em que durante o dia, a luz natural penetre nos diversos cômodos de nossa casa, e também com um sistema de ventilação natural possamos obter níveis satisfatórios de conforto térmico, reduzindo os gastos com energia elétrica? Se pudermos viver em uma cidade, com nível reduzido de gases de escapamento de motores de veículos movidos a combustíveis de origem fóssil? Se pudermos viver em uma cidade, sem grades, sem obstáculos, sem fechaduras, cadeados, ou dispositivos de segurança contra assaltos, roubo, etc.

Tudo isso pode ser realizado, desde que as cidades não ultrapassem certos limites de crescimento, e guardem, por outro lado, certa proporção e integração com o campo que lhe sirva de alimento, e que as distâncias sejam alcançadas sem excessos de velocidade, sem as consequências danosas para o meio ambiente e para o “habitat” humano.

Nesse sentido,  é importante que tenhamos no currículo escolar ensinamentos que mostrem para os líderes de amanhã que a medida adequada das coisas deve ser perseguida a cada instante de nossas ações. Desse modo, evitaremos as distorções, os excessos, as carências, os desperdícios e até as catástrofes. Assim, os direitos humanos e de cidadania certamente estarão sendo respeitados.

Afinal, que progresso é esse que nos torna escravos de máquinas e nos tolhe a liberdade de viver com dignidade?

*Jorge de Abreu Figueiredo,  arquiteto formado pela Faculdade Nacional de Arquitetura da U.B. 1957 , classificado no Quarto Prêmio Brasilit de arquitetura, eleito arquiteto do ano pelo Sarj em 1991, um dos homenageados pelo CREA no ano de 2009.

Na quarta-feira, 25 de novembro, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, divulgou a intenção de realizar um ato inusitado: deixar sem limpeza a orla num domingo de sol, sem aviso prévio. Pretende fazer o mesmo também com a Avenida Rio Branco, no Centro do Rio, para provar que parte do problema do lixo deve-se à falta de educação do carioca, que suja demais a cidade, mesmo possuindo equipamentos suficientes à disposição.

As declarações foram feitas na ocasião em que o prefeito anunciou a criação de lixômetros, medidores de lixo a serem instalados pela cidade de modo a checar quais os bairros mais limpos e os mais sujos. No dia 7 de dezembro está prevista a divulgação do Plano Estratégico da cidade, quando serão divulgadas metas de limpeza para o governo e também para a população.

Não se pode descartar a hipótese de que o prefeito possa estar reeditando uma prática comum de seu antecessor, o lançamento de factóides – pseudo-notícias capazes de atrair a atenção da imprensa sem substância real. Apesar de uma gestão passível de críticas em vários pontos, eles não anulam uma iniciativa louvável como esta – a depender, claro, da maneira como for desenvolvida. A sujeira da cidade chama a atenção de qualquer visitante mais desatento. Um indício mais incisivo: a prefeitura afirma que 70% do orçamento da Comlurb são gastos com a limpeza das ruas. Impossível não concordar com Paes quando ele afirma “Não é possível que as pessoas digam que amam o Rio, que são cariocas da gema, e tratem a cidade com falta de respeito, de educação e de carinho.” O carioca precisa expressar todo o seu orgulho pela cidade também em gestos cotidianos, e não apenas nos grandes eventos coletivos festivos. Bons projetos urbanos, por melhores que sejam, não se sustentam diante do descuido dos usuários, mesmo que a urbe, no caso, seja a tão festejada, mui leal e heróica cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.