Flare

23/06/2010

Uma fachada que muda constantemente. Esta proposta inusitada foi realizada na Alemanha por Christopher Bauder e Christian Perstl. “Flare” é o nome do sistema modular que reveste a edificação com uma espécie de ‘pele’. Segundo os idealizadores, a ideia era quebrar as convenções de uma frente  estática. “Agindo como uma pele, permite à construção se expressar, comunicar e interagir com o ambiente“. O vídeo fala por si:

Outras informações estão disponíveis no site http://www.flare-facade.com/

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A Universidade Federal do Rio de Janeiro iniciou – com atraso – a discussão sobre a adoção de um sistema de cotas para alunos negros, índios e de baixa renda. Todas as unidades e centros podem e devem apresentar sugestões, que serão posteriormente encaminhadas ao Conselho Universitário, órgão máximo deliberativo da UFRJ.

Neste espírito, o Blog do Sarj colabora com o debate, abordando a questão hoje sob o ponto de vista favorável às ações afirmativas. Em seguida, publicaremos também texto defendendo posição contrária, garantindo o caráter democrático da discussão. Abordaremos aqui três argumentos, entre os mais comuns, para iniciar uma análise que pode ser feita sob variados aspectos. Você, leitor, mais que convidado, está encorajado a participar, deixando suas impressões nos comentários.

Uma das primeiras acusações à ideia de políticas compensatórias alega que elas seriam injustas com aqueles que conquistaram vagas pelo mérito, com a dedicação aos estudos. Argumento combatido pelo Prof. Idelber Avelar, da Tulane University, que discute o tema há anos em artigos, palestras e posts. Para ele, que se posiciona a favor da meritocracia, esse conceito é que precisa ser revisto e, sobretudo ampliado: “Não proponho que se deixe de medir pontos. Mas há que se manejar um conceito mais amplo de mérito, onde entrem outras variáveis além do número de x’s corretos numa prova. O sistema de cotas temporário pode ser um bom instrumento para a reforma desse monstro, o vestibular.”

O que remete à outra crítica frequente, essa referente ao sistema educacional brasileiro como um todo. Os antagonistas das cotas afirmam que o sistema não resolve a desigualdade, que deveria ser combatida mediante reformas no ensino fundamental. Entretanto, o Prof. Avelar aponta pra um falso antagonismo, já que as cotas devem ser parte de um projeto reformista. As cotas representam uma solução emergencial e temporária, simultânea a mudanças mais substanciais. Vale dizer que esses mesmos opositores não apresentaram projeto de reforma efetivo, consistente. Por outro lado, o efeito das cotas já começa a ser contabilizado: segundo o Prof. José Jorge de Carvalho, da UnB, em sete anos de aplicação das cotas (em vigor hoje em mais de 100 universidades brasileiras, de maneiras diversas) ingressaram mais estudantes negros no ensino superior que em todo o século XX.

Embora muitos considerem a adoção de mecanismos diferenciados de acesso – que chamamos aqui de cotas para simplificar – ninguém ousa negar a desigualdade entre os alunos das universidades públicas brasileiras. Não é preciso recorrer a estudos elaborados para constatar que eles são, em sua grande maioria, egressos de escolas particulares, das classes mais abastadas e brancos. Se há um forçoso consenso sobre esta realidade, há uma reação intensa a qualquer tentativa de mudança direta e é quase impossível não questionar o grau de corporativismo dessa reação. O que está sendo defendido, afinal? Não ganha a Universidade quando diversifica seus quadros, amplia seus horizontes – ou a instituição sente-se ameaçada? Como defende o Prof. Avelar, “o cotista traz saberes que o aparato universitário ainda não domina e, portanto ajuda transformar a própria natureza do que ali se produz e reproduz. Será que nós, da universidade (…) podemos prescindir desse saber que vem da experiência do outro? Será que a abertura um pouco mais generosa das portas não é do nosso próprio interesse, do interesse de disciplinas que, com frequência, se debatem em problemas abstratos, divorciados da realidade brasileira?”.

E você, leitor, já tem sua opinião? Ou apenas novas questões? Divida conosco.

A Expo Xangai 2010 proporcionou aos arquitetos bons exercícios de volumetria, proporções e inovações nos acabamentos.

Vale a pena ver a projeção de slides que exibe alguns dos pavilhões.

Os 3 exemplos que se seguem dão a tônica da Expo, cujo tema é “Better city, better life”.

Austrália

Polônia





Brasil

Site oficial da Expo Xangai.

Site da participação brasileira.

Vai ser realizada na cidade de Medelín, Colômbia, a 7ª Bienal Ibero-americana de Arquitetura e Urbanismo (BIAU), em outubro. No início de abril foi divulgada a lista definitiva dos projetos que representarão o Brasil. De 10 escolhidos – de um total de 90 pré-selecionados -, apenas um é do Rio de Janeiro. Conheça a lista:

  • Hospital Sarah-Rio, João Filgueiras Lima, Rio de Janeiro RJ, 2009
  • Biblioteca São Paulo, Aflalo & Gasperini Arquitetos, São Paulo SP, 2009
  • Box House, Yuri Vital, São Paulo SP, 2008
  • Casa em Ubatuba, Ângelo Bucci, Ubatuba SP, 2009
  • Centro Educativo Burle Marx em Inhotim, Alexandre Brasil, Paula Zasnicoff Cardoso, Brumadinho MG, 2009
  • Edifício Aimberê, Andrade Morettin Arquitetos Associados, São Paulo SP, 2009
  • Memorial da Imigração Japonesa, Gustavo de Araújo Penna, Mariza Machado Coelho, Paulo Pederneiras, Belo Horizonte MG, 2009
  • Museu do Pão, Brasil Arquitetura, Ilópolis RS, 2007
  • Praça Victor Civita, Adriana Blay Levisky e Anna Julia Dietzsc, São Paulo SP, 2008
  • Sede da Fundação Iberê Camargo, Álvaro Siza Vieira, Porto Alegre RS, 2008

Foram 5 projetos de São Paulo, 2 em Minas Gerais e 2 no Rio Grande do Sul, além do representante carioca. A arquiteta Ana Luiza Nobre informou em seu blogue quais foram os projetos pré-escolhidos no estado do Rio, e aponta certas especificidades: “Quatro são casas. 2 estão localizados fora da cidade do Rio de Janeiro. E apenas 3 são de arquitetos sediados no Rio”. Ela referia-se à Casa em Santa Teresa (SPBR Arquitetos), Casa em Paraty (Marcio Kogan); Casa Píer (Gabriel Grinspun e Mariana Simas); Casa Varanda (Carla Juaçaba); Edifício Beta (Andres Passaro, Diego Portas e Marcos Fávero); Galeria Progetti (Pedro Rivera e Daniela Brasil) e o e Hospital Sarah-Rio.

Esta notícia oferece uma série de pontos para reflexão sobre a arquitetura em nosso estado e sua representatividade. Se adicionarmos à análise os rumores sobre mais um concurso fechado para a escolha de um projeto arquitetônico importante para o estado – a Marina da Glória, sob controle do grupo EBX, de Eike Batista – há que se adicionar à lista de questões o já conhecido efeito Tostines: será que a arquitetura do estado não aparece mais porque é sistematicamente preterida em detrimento de estrangeiros ou não faz frente aos concorrentes de fora porque não tem visibilidade?

Na semana passada inúmeras iniciativas  festejaram as bodas de ouro de Brasília. Um acontecimento memorável, de fato – afinal, não se trata de fato corriqueiro a construção de uma cidade com a função prévia de ser a capital federal.

Porém, como sói acontecer em efemérides como esta, houve muita superficialidade  e “oba oba”. Infelizmente, poucas ações fizeram da data pretexto para eventos realmente significativas – dentre estes poucos destacam-se a mostra “Outros planos: Brasília”, em cartaz no Museu da Casa Brasileira, em São Paulo; e o livro “O Concurso de Brasília – Sete Projetos para uma capital”, de Milton Braga.

Deveríamos aproveitar a celebração desse projeto audacioso e memorável para revê-lo e preencher lacunas. Pois se a Capital foi planejada, não o foi a transferência de poder. Faltou planejar a saída do (e para) o Rio. Passados 50 anos, a cidade autodenominada maravilhosa deve superar essa perda, de fato, e aprender a se planejar minimamente – seja para enfrentar chuvas imprevisíveis ou megaeventos religiosos programados.

Já Brasília tem suas várias pontas sem planejamento. As cidades que cresceram à sua volta e a comunicação entre elas e a Capital foi pouco ou nada prevista. A cidade cresceu em todos os sentidos, e deve refletir agora sobre como quer desenvolver-se nos próximos cinquenta anos. A visão única sobre a cidade pelo viés político e sempre focada na corrupção não nos deixa ver o que vale a pena na cidade (não que muitos políticos não dêem motivo pra isso. Este ano temos nova oportunidade mudar este quadro). Agora que começa a acumular história – algo valioso para constituir-se como uma cidade – , Brasília tem como desafio repensar sua relação com sua periferia. Afinal, cidades não são ilhas, e definem-se, entre outras coisas, pela interação com seu entorno.

Com esta proposta, felicitamos a cidade: parabéns, Brasília.

Os estudantes de Arquitetura e Urbanismo da Regional Leste da Federação Nacional dos Estudantes de Arquitetura e Urbanismo – FeNEA e suas respectivas entidades representativas – os Centros e Diretórios Acadêmicos – estão mobilizados diante das atuais condições da sociedade, do ensino, da formação e para o futuro exercício profissional. Organizam-se através de fóruns promovendo debates, críticas e propostas para uma formação cidadã que subverta a lógica contraditória imposta sobre a sociedade.

A FeNEA se identifica como uma instância representativa e critica da questão urbana, que pretende dialogar com a Academia e os profissionais de Arquitetura e Urbanismo. Assim, ao longo do ano de 2009 procurou se aproximar dos debates pela Reforma Urbana e seus princípios, reconhecendo que o ensino e a formação, bem como a atuação profissional, ainda apresentam um caráter conservador. Diante dessa constatação, elaborou o Projeto de Inserção da Reforma Urbana no ensino de Arquitetura e Urbanismo, propondo que o tema seja incluído nos Projetos Pedagógicos através das grades curriculares, de ementas disciplinares e demais conteúdos, na esperança de se transformar o caráter do arquiteto e urbanista.

A Regional Leste organizou seus conselhos de base, os CoREAs, para a promoção de debates e tomada de posicionamentos e deliberações que representassem os anseios dos estudantes. Foram discutidos, entre outros temas, a descaracterização das Universidades através do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES) e do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes – considerado pelos estudantes uma deturpação, a Federação articulou um boicote contra o ENADE) propondo uma nova alternativa -; engajou-se também no apoio às lutas pelo CAU e a liberdade aos arquitetos e urbanistas e à Lei de Assistência Técnica, com novas possibilidades de atuação profissional. A FeNEA defende a inserção dos Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo em seus contextos– questão muito debatida no SeNEMAU 2009, no Rio de Janeiro, que inclusive atuou de forma prática na Vila Residencial do Fundão e na Ocupação Manuel Congo, no centro da cidade.

Nas lutas pela formação profissional e cidadã, a Federação realizou projetos visando a conscientização e a complementação, tais como: o SERES (Seminário Regional de Ensino Superior de Arquitetura e Urbanismo), debatendo especificamente as condições do ensino, suas orientações e ideologias, com o propósito de elaborar propostas e diretrizes para mudanças e melhorias; o Congresso de Iniciação Científica em Arquitetura e Urbanismo (CICAU), incentivando a Iniciação Científica e estimulando os estudantes a apresentar o desenvolvimento e o resultado de suas pesquisas; e o Concurso Nacional de Idéias para a Reforma Urbana, motivando os estudantes a repensar a questão urbana na perspectiva da de uma Reforma.

Para o ano de 2010, com a continuidade de gestões, a Regional Leste pretende desenvolver cada uma de suas pautas, avançando em suas críticas e propostas e inserindo seus debates em abordagens atuais. No campo da educação universitária, pretende fortalecer a Extensão Universitária em Arquitetura e Urbanismo – vertente tão importante para a formação por aproximar os estudantes da realidade social do país –, inserindo o tema em seus Congressos, os CICAU’s, através dos novos Congressos de Extensão Universitária em Arquitetura e Urbanismo (CEAU’s). No campo da gestão e do planejamento urbano, quer dar continuidade à mobilização organizada pela FeNEA, através de suas Regionais, com o objetivo de uma participação ativa e representativa dos estudantes nas Conferências das Cidades, além debater temas como o Programa Minha Casa, Minha Vida, o Plano Nacional de Habitação e a realização dos grandes eventos – Copa do Mundo 2014 e Olimpíadas –, alertando os estudantes para seus aspectos, contradições e consequências, possivelmente expondo seu posicionamento crítico e autônomo. Cada uma destas questões será trabalhada de forma sintética e prática na XIII edição do EREA Leste, realizada entre 21 e 25 de abril na cidade do Rio de Janeiro, incitando os estudantes a debatê-las e criticá-las, projetando uma sociedade comprometida com o princípio de direito à cidade.

Desta forma, a Regional Leste acredita que o arquiteto e urbanista tem um papel fundamental na construção das cidades, não devendo estar alienado das questões políticas e sociais, mas sim comprometer-se em ser participativo em suas representações e decisões. E a formação acadêmica deve fornecer as condições para esta compreensão, não se limitando a critérios técnicos, aspectos funcionais e formais, ou metodologias integralistas e generalistas, mas debatendo as reais causas de uma construção social especulativa e desigual, enfrentando-a com propostas comprometidas com a justiça social. A formação deve refletir efetivamente o caráter social do arquiteto e urbanista.

Regional Leste – Jurisdição regional da FeNEA, composta pelos estados do RJ, do ES e de MG (exceto triângulo mineiro)

As enchentes

13/04/2010

As chuvaradas de verão, quase todos os anos, causam no nosso Rio de Janeiro, inundações desastrosas. Além da suspensão total do tráfego, com uma prejudicial interrupção das comunicações entre os vários pontos da cidade, essas inundações causam desastres pessoais lamentáveis, muitas perdas de haveres e destruição de imóveis.

De há muito que a nossa engenharia municipal se devia ter compenetrado do dever de evitar tais acidentes urbanos. Uma arte tão ousada e quase tão perfeita, como é a engenharia, não deve julgar irresolvível tão simples problema.

O Rio de Janeiro, da avenida, dos squares, dos freios elétricos, não pode estar à mercê de chuvaradas, mais ou menos violentas, para viver a sua vida integral.

Como está acontecendo atualmente, ele é função da chuva. Uma vergonha! Não sei nada de engenharia, mas, pelo que me dizem os entendidos, o problema não é tão difícil de resolver como parece fazerem constar os engenheiros municipais, procrastinando a solução da questão.

O Prefeito Passos, que tanto se interessou pelo embelezamento da cidade, descurou completamente de solucionar esse defeito do nosso Rio. Cidade cercada de montanhas e entre montanhas, que recebe violentamente grandes precipitações atmosféricas, o seu principal defeito a vencer era esse acidente das inundações. Infelizmente, porém, nos preocupamos muito com os aspectos externos, com as fachadas, e não com o que há de essencial nos problemas da nossa vida urbana, econômica, financeira e social.

Lima Barreto (publicado no jornal Correio da Noite, Rio, 19-01-1915).